Este ano foi de uma importância particular nos direitos homossexuais portugueses. No dia 10 de Outubro assistiu-se ao debate e votação das propostas do Bloco de Esquerda e Os Verdes, impondo o Partido Socialista, disciplina de voto na sua bancada (não respeitada pelo dinossauro Manuel Alegre, votando favoravelmente), alegando que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não fazia parte da "agenda" política do partido. Os partidos de centro e direita alegaram semelhante argumento, invocando a não-prioridade desta discussão. Ridículo e vergonhoso.
O nosso cada vez menos popular primeiro-ministro, José Sócrates, acobardou-se e no desespero disse que “nunca discutimos isso [casamento homossexual] na sociedade"! De facto, nunca houve um "Prós e Contras" sobre este tema, e não sabia que era condição necessária para um assunto verdadeiramente prioritário (são direitos constitucionais consecutivamente adiados), embora tenha sido amplamente noticiado e discutido em todos os jornais e vários programas de televisão (com direito a sondagem) e rádio.
Mas, dias antes, a líder do maior partido da oposição refere em directo na RTP1 que "o casamento visa a procriação”, indo muito mais além do casamento homossexual, mostrando a sua mentalidade deturpada, irreal e, invariavelmente, retrógrada.